Metodologia do diamante duplo

Na verdade, o uso de dados é coerente com todas as etapas de um processo de design e desenvolvimento de produto. A diferença está no modo como utilizamos ele, assumindo uma postura mais reativa ou propositiva.

Pegando o famoso processo de diamante duplo para exemplificar isso, temos quatro momentos principais: descobrir, definir, idear e prototipar. Em cada um deles temos acesso à diferentes tipos de fontes de dados e diversas formas de manusear essas informações com a intenção de entregar experiências melhores.

Destrinchando o modelo

Vamos olhar para cada uma das etapas entendo quais tipos de informação são disponibilizadas e como nos relacionamos com eles.

Descobrir

Começando pela etapa de descoberta, temos uma curiosidade em entender e absorver tudo sobre o tema que estamos abordando. Neste caso, fica evidente que os dados podem assumir os mais variados formatos e ser obtido das mais diversas fontes. Temos o estudo de dados de mercado, a análise de relatórios de métricas da companhia e a realização de pesquisas que nos ajudam a partir de um teor mais qualitativo, a obter as peças que serão usadas para compor um quadro de solução completo, ou seja, a visão do todo.

Nesta etapa do processo assumimos uma postura mais reativa em relação a a disponibilidade dessas informações, coletando e analisando toda essa massa de dados para gerar interpretações e discussões em grupo.

Definir

Neste momento estamos consumindo todas essas informações e entendendo o que é bom e o que é ruim para a experiência que estamos projetando. Abby Cover em seu livro “How to Make sense in any mess” afirma que a definição do que é bom ou ruim varia de acordo com cada pessoa. Por isso, o uso de dados deve ser utilizado não para reforçar a nossa percepção individual, mas para consolidar um único entendimento.

Se estamos definindo o que funciona, ou não, também temos ideia dos indicadores que precisamos perseguir ou ao menos um indício disso. Por tanto, nesta etapa assumimos uma postura mais propositiva traduzindo toda aquela massa anterior de diversos tipos de informação em parâmetros e referências que devem ser perseguidos em uma etapa seguinte do processo.

Idear

Na etapa de ideação começamos a sintetizar todos os critérios estratégicos e a materializar em possíveis soluções. Se estamos falando de tangibilizar nossas ideias, nesse momento nós precisamos também amarrar nossos indicadores em métricas mais especificas, nos ajudando a entender quais as respostas e resultados esperados dos processos de validação que irão a teste.

Os próprios testes serão um momento onde iremos gerar dados de maneira intencional, estes que precisarão ser analisados, interpretados, consolidados, compartilhados e discutidos com o restante da equipe. Com isso essa etapa ela nos confere tanto uma postura propositiva como a reativa.

Prototipação

É nesse momento que começamos a efetivamente construir e desenvolver nossa solução para levar isso para as pessoas. Nesta etapa precisamos contar com todas as definições das etapas anteriores. Quais serão os indicadores de negócio utilizado, quais as métricas que serão acompanhadas na própria experiência e como vamos coletar isso quando o produto estiver sendo utilizado pelas pessoas, quais as ferramentas e métodos serão aplicados para garantir mais assertividade e fidelidade das informações para tomada de decisão.

Estamos falando de uma etapa reativa em todos sentidos, tanto em relação as definições das etapas anteriores como também, pela possibilidade de análise dos dados que serão coletados após o lançamento e a partir de diferentes fontes de informação trabalhadas pela sua empresa: atendimento ao cliente, pesquisas de satisfação, dados de teste de usabilidade, entrevistas com as pessoas e também dados de ferramentas como Google Analitycs, Firebase, Hotjar, VWO ou qualquer outra que seja utilizada pelas suas equipes.

Conclusão

O uso de dados ocorre de uma forma ou de outra por todo processo de design. Então a pergunta que deveríamos fazer é “como vamos utilizar os dados em determinada etapa do processo”.

O entendimento de como trazer os dados para a nossa realidade de design não é mais uma opção, nossos próprios modelos e processos de trabalho foram construídos com base neles. Isso mostra como o papel do design está em plena transformação e precisa se desenvolver de maneira mais estratégica e que isso não acontece por acaso, mas sim a partir do estudo, assim como você está fazendo lendo este conteúdo agora.

Alguns links para continuar com as reflexões:

https://youtu.be/OtUWbsvCujMhttps://www.youtube.com/watch?v=7_sFVYfatXY&ab_channel=NNgroup

Gabriel Pinheiro

Designer com 13 anos de experiência. Acredito que as experiências são sistemas mais complexos que relacionam pessoas, lugares, expectativas, necessidades, produtos e serviços que muitas vezes estão distantes entre si.